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O Gauche

https://www.ogauche.com/

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Desde sua criação, muito se falou sobre a "legitimidade" d'O Gauche ser considerado um "zine". Em primeiro lugar, ilegítimo é o Presidente. Fora Temer! Em segundo lugar, o blá-blá-blá que rolou nas redes sociais (e fora delas) apresentou a seguinte questão: "Ah, mas zine é algo artesanal, coisa de artista, livre". Ok, O Gauche é pé-durão: imprimimos todas as folhas e as grampeamos com nossas lindas mãozinhas. Dá um trabai! Nenhuma gráfica envolvida. É na base do xerocão mesmo, fio. Todas as ilustrações são produzidas por COLABORADORES, assim como os textos, portanto, não há relações comerciais envolvidas. Contudo, aos ingênuos, informamos que há zines que se enveredam ao consumo: tomemos como exemplo o jornal Tribuna de Minas, que alcança milhares de leitores na região de Juiz de Fora e produz um zine, com propaganda da Dell e tudo na capa. Tá bom pra você? Inclusive a jornalista que escreve no baguio recebe a alcunha de "zinética".

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e texto

Ok, nós concordamos que a característica mais forte de um zine seja seu poder de resistência num mundo tomado pelas relações de consumo - tanto o é que funcionamos SEM VERBAS PRIVADAS OU DO ESTADO. Pagamos o zine com recursos próprios, ou seja, tiramos o dim-dim DO NOSSO PRÓPRIO BOLSO. Distribuímos SEM FINS LUCRATIVOS. Se essa atitude não é libertária, de resistência, bem, que seria libertário?

Ai ai... A tendência é espernear, né? Mas em tempos de totalitarismo, como o nosso, é bom que a sociedade não tenha um discurso unívoco. Quanta asneira temos ouvido! Mas todas elas são férteis, pois despertam o debate e só ampliam a vontade de crescermos. Ademais, o conhecimento provém do atrito. E essa é uma boa hora para expormos argumentos - até porque as universidades têm sofrido ataques de governos corruptos, que insistem em empurrar a população contra seus professores, alunos e funcionários, como se fôssemos "marajás" envoltos em nossas bolhas, alheios ao que acontece lá fora. Pra você, que tem uma visão deletéria do academicismo, podemos lhe garantir que a UEM também está "LÁ FORA". Criada na década de sessenta, a universidade possui MILHARES (e não é hipérbole, é dado factual mesmo) de projetos voltados à comunidade, sejam eles concretizados em forma de ensino, pesquisa e/ou extensão. O Hospital Universitário e o Colégio de Aplicação são grandes exemplos do montante da população que atingimos diariamente.



Então, vamos lá, responda com sinceridade: que seria de Maringá e região sem a UEM? Não, nós não estamos envoltos em uma bolha. Essa é uma perspectiva intolerante que vai contra os princípios que um dia fizeram alguém reivindicar "eu não preciso estar no status quo das ações para poder fazer a produção de conteúdo e pra falar de coisas, que para mim, são relevantes". E se você assim o pensa, sentimos em lhe dizer, mas quem está numa bolha é você. Saia dela e participe, a universidade É PÚBLICA, portanto, aberta. Seja UEM. Participe da vida UEM. Informe-se sobre nossos milhares de projetos em circulação. Some.

De qualquer forma, andamos pensando na alcunha e resolvemos trocar o nome de "zine" para "folhetim" cultural. "Folhetim"? Sim, a partir dessa edição iremos dar início à publicação de uma história sem fim. AHN? Como? A história sem fim é o seguinte: alguém inicia uma história na última página. Coloca lá seu enredo, personagens... Mês que vem chega outro(a) autor(a) e dá sequência, desencadeando a trama como bem lhe apetece. No outro mês vem outro(a) doido(a), com uma nova história - todas pautadas na anterior - e assim por diante. Ininterruptamente a história vive. Ente vivo. História que morde o braço. Antropófaga. A partir de agora, "folhetim". O judeu errante, A toutinegra do moinho, Os três mosqueteiros, Núpcias de fogo, Sepultada viva, O moço loiro, Leonor de Mendonça, coitadinha, morta pelo doido enciumado. Eita hómi sem coração!



Feuilleton, coisa chique, rapá, tá pensando o quê?
Sem mais. Leia o livro. And you gonna know the true.

Beijim no ombro,
Claudíne Lisboa, Monique Boer e Suzana Flag


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Conheça mais desse trabalho sensacional clicando em "Continue Lendo".

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