De hobby a profissão: como os pequenos creators estão conquistando o mercado

Creators Day Maringá reúne criadores, marcas e especialistas nesta quarta-feira (16), com palestras e capacitações gratuitas e a primeira Creathon do Brasil, que propõe uma nova forma de aproximar talentos e negócios locais

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Durante muito tempo, produzir conteúdo para as redes sociais foi encarado como hobby. Gravar um vídeo, fazer uma indicação, mostrar a rotina ou compartilhar uma experiência eram atividades que, para muita gente, aconteciam paralelamente ao trabalho. Mas uma parcela desses criadores descobriu que aquilo que começava como passatempo poderia se transformar em profissão e, para as marcas, em uma nova forma de comunicação. É nesse ponto de transformação da chamada Creator Economy que pequenos e médios criadores passaram a ganhar espaço. 

Em vez de depender exclusivamente de grandes perfis, empresas têm encontrado nos nano e micro creators uma possibilidade de comunicação mais próxima, segmentada e conectada à realidade de seus públicos. Ao mesmo tempo, cresce entre os próprios criadores a necessidade de entender que audiência, criatividade e influência também precisam ser tratados como atividade profissional. A força desse movimento será vista na prática nesta quarta-feira (16), em Maringá, durante o Creators Day Maringá 2026. A programação reúne palestras, capacitações e troca de experiências gratuitas sobre criação de conteúdo e Creator Economy e terá como principal atração a primeira Creathon do Brasil, uma maratona que coloca creators diante de desafios reais de comunicação apresentados por negócios locais. A proposta é transformar problemas reais de comunicação de negócios em desafios para duplas de creators, que terão tempo limitado para interpretar o briefing, criar uma estratégia e produzir um conteúdo. 

O objetivo é gerar aprendizado, conexões e oportunidades profissionais. No entanto, os criadores de conteúdo iniciantes também serão avaliados por um júri, composto por quem já vive disso há algum tempo. Um dos membros do júri é Felipe Vido e a trajetória dele ajuda a entender como esse mercado mudou. 

Tudo começou em 2018 com o perfil Maringá Gastronômica, criado como hobby no Instagram, para mostrar lugares que ele gostava de frequentar. Em pouco tempo, passou a receber propostas de restaurantes para que ele fizesse uma visita e divulgasse os estabelecimentos. O projeto cresceu, ganhou estrutura empresarial e, desde 2023, Vido vive exclusivamente da influência digital. Hoje, à frente do perfil Eu Com Vido, soma mais de 182 mil seguidores, 6 milhões de impressões mensais e trabalhos realizados para mais de 1.500 empresas. Ao observar o mercado atualmente, porém, Vido chama atenção para uma contradição: nunca houve tanta gente produzindo conteúdo e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil conquistar espaço. Para ele, o crescimento da concorrência tornou mais difícil repetir a trajetória dos grandes influenciadores que despontaram quando as redes sociais ainda estavam em uma fase de expansão. A oportunidade continua existindo, mas exige mais profissionalismo, posicionamento e clareza sobre o valor que o creator entrega.

Outro fenômeno é a valorização dos nano e micro influenciadores. Com comunidades menores, mas muitas vezes mais próximas e segmentadas, esses profissionais podem representar uma alternativa para negócios que precisam falar diretamente com públicos específicos, especialmente em mercados locais. O problema aparece quando a criação de conteúdo continua sendo tratada como hobby. Vido observa que muitos pequenos creators ainda aceitam produzir grandes volumes de conteúdo em troca de produtos, permutas ou valores muito baixos. Para ele, esse comportamento pode contribuir para a desvalorização da própria atividade e torna necessária uma mudança de postura: quem pretende viver da internet precisa começar a enxergar a criação como trabalho. “Hoje em dia, eu vejo que muitos deles levam como hobby, como eu levava no início. Então, precisa ter um amadurecimento de cada um”, avalia. Ao mesmo tempo, ele considera a Creator Economy um mercado com perspectivas de crescimento. As plataformas continuam investindo, novos formatos surgem e a internet permanece como um ambiente permanente de oportunidades, com maior flexibilidade de tempo e localização.

A trajetória de Thiago Franco, um dos participantes da Creathon, representa uma geração que já entrou no mercado com a possibilidade de transformar as redes em fonte de renda. Estudante de Educação Física e ligado ao esporte, Thiago começou a produzir conteúdo há cerca de dois anos, inicialmente como uma espécie de investimento pessoal para construir presença nas redes. Depois de testar formatos, interromper o projeto e retomá-lo, começaram a aparecer as primeiras oportunidades comerciais. Uma publicidade com cachê mudou sua percepção sobre a atividade. O que antes era uma tentativa de construir uma imagem para o futuro passou a representar uma possibilidade concreta de renda. Atualmente, ele concilia faculdade, trabalho e produção de conteúdo, mas afirma que as redes já ocupam o primeiro lugar entre suas prioridades profissionais. A experiência mostra uma característica importante da nova geração de creators: a entrada no mercado pode acontecer sem grandes estruturas, equipamentos profissionais ou milhares de seguidores. Um celular, conhecimento sobre um nicho e disposição para produzir podem ser suficientes para começar.

Conteúdo como extensão de uma carreira
Felipe Scherpinski representa outro perfil dentro desse ecossistema. Com formação em gestão de pessoas e moda e especializações ligadas à educação, ele atua há oito anos no mercado de moda e beleza como consultor de imagem, professor e pesquisador em acessibilidade cromática. Nesse caso, a criação de conteúdo não substituiu sua profissão: tornou-se uma extensão dela. No Instagram, Scherpinski fala sobre moda, beleza, tendências, consultoria de imagem, comportamento do consumidor, gestão e acessibilidade. A estratégia passa por conhecer a própria audiência e escolher formatos coerentes com ela. A monetização é consequência da integração entre conteúdo e serviço. “As redes sociais são uma vitrine para o trabalho”, explica.

Já Nayara Rampani do Vale chegou ao mercado por outro caminho. Depois de trabalhar em uma grande empresa e deixar a carreira CLT para empreender, começou a produzir conteúdo inicialmente relacionado a um negócio na área de cuidados com pets. Mais tarde, migrou para o digital e passou a atuar com marketing e criação de conteúdo. Hoje, une a atuação como creator à experiência em marketing e estratégia, trabalhando principalmente com marcas dos segmentos de wellness, fitness e lifestyle. Para Nayara, o mercado ainda tem espaço para crescer justamente porque não se resume à quantidade de seguidores. Envolve influência, produção audiovisual, criatividade e relacionamento com comunidades.

De conteúdo para o SAMU a trabalhos com marcas
A história de Tamires Nascimento também começou longe do universo tradicional dos influenciadores. Enfermeira do SAMU, ela começou a produzir conteúdo para a instituição e acabou descobrindo interesse e habilidade na comunicação. Depois, passou a compartilhar nas próprias redes sua rotina, a prática esportiva e a mudança de estilo de vida. Vieram os primeiros trabalhos para empresas e, com eles, uma nova possibilidade profissional: atuar também como criadora e videomaker utilizando principalmente o celular. Grande parte do processo é feita por ela mesma, com o celular: roteiro, captação e edição. “Mais do que divulgar um produto, gosto de viver aquilo de uma forma muito real, de tentar me conectar bastante com o público”, relata. A jornada de Tamires é outro exemplo de como a Creator Economy não é formada apenas por pessoas que decidiram ser “influenciadoras”. Profissionais de diferentes áreas estão transformando conhecimento, experiência e rotina em conteúdo e utilizando as redes como extensão de suas próprias atividades. É justamente essa diversidade que a Creathon pretende colocar em evidência.

Durante o Creators Day, o desafio será explorar os 36 estabelecimentos do Mercadão e do Fratello, conhecer experiências e histórias relacionadas aos desafios e passar à produção investigando, idealizando, captando, produzindo e editando um conteúdo em tempo limitado. Na avaliação, entram critérios como compreensão do briefing, execução, adequação à plataforma e capacidade de gerar valor para o negócio.

Um laboratório para marcas locais
Para os negócios, a dinâmica funciona como uma oportunidade de enxergar os creators trabalhando antes mesmo de estabelecer uma parceria comercial. Em vez de escolher um influenciador apenas pelo número de seguidores, a empresa poderá observar como ele interpreta uma demanda, encontra uma história e transforma um produto ou serviço em conteúdo. A proposta é especialmente relevante para pequenos e médios negócios, que muitas vezes precisam disputar atenção com marcas maiores e encontrar formas mais eficientes de chegar ao consumidor. A Creathon, inspirada nos hackathons, pretende colocar frente a frente duas necessidades que cresceram com as redes sociais: creators que precisam profissionalizar sua atividade e encontrar novas oportunidades e empresas que precisam aprender a trabalhar com esses profissionais e identificar quem realmente consegue gerar valor para sua comunicação. O resultado será experimentado em algumas horas, mas a intenção é que as conexões continuem depois do evento. A primeira Creathon brasileira nasce em Maringá com essa perspectiva: transformar a cidade em um laboratório para uma relação mais profissional entre creators e negócios locais e desenvolver uma metodologia que possa, posteriormente, ser replicada em outras cidades.

A primeira Creathon do Brasil será realizada na quarta-feira, 16 de setembro, no Mercadão Fratello. O credenciamento começa às 17h. A programação inclui briefing dos desafios, período de criação e produção, avaliação da banca e anúncio dos vencedores.

Programação gratuita 
Além da Creathon, a programação do dia inclui palestras e capacitações gratuitas, com profissionais e creators compartilhando conhecimentos sobre construção de audiência, produção de conteúdo, relacionamento com marcas e profissionalização. Os creators mais experientes também participam como speakers. No Espaço Cooperar Sicoob, a proposta é oferecer apresentações rápidas e práticas, permitindo que quem está começando tenha contato com experiências de quem já atua profissionalmente no setor.

Toda a participação na programação é gratuita, e as inscrições para a Creathon, que tem 72 vagas, permanecem abertas até as 11h59 do dia 16 de setembro, conforme disponibilidade.

SERVIÇO
Creators Day Maringá 2026 — A primeira Creathon do Brasil
Data: 16 de setembro de 2026
Local: Mercadão Fratello — Avenida Herval, 969
Programação: palestras, capacitações, mentorias e primeira Creathon do Brasil


Inscrições para a Creathon: https://wcomembers.nozcomunidades.com.br/events/cf3c1e71-3972-4ba9-b7e9-358895aa5b9f