Em Maringá, 6 mil artistas cadastrados promovem cultura de domingo a domingo

Em uma cidade culturalmente agitada, agentes culturais reforçam a importância do engajamento político

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 Feira di Buteco 2025 no Doce Caos Bar. Imagem: binho_http

Em uma sexta-feira comum em Maringá, o morador pode escolher assistir a uma apresentação no Teatro Barracão Paulo Mantovani, visitar uma exposição no Centro de Ação Cultural (CAC) Márcia Costa ou no Teatro Regional Calil Haddad, ou ainda mergulhar nas festas do cenário cultural independente da cidade. O município, que registrou 6490 agentes e 158 projetos cadastrados na plataforma Maringá Cultura em março deste ano, conta com uma ampla diversidade de artistas – todos empenhados em fazer jus ao título de Cidade Canção.

Além de eventos anuais como a Festa Literária Internacional de Maringá (Flim), a Virada Cultural e a Maringá Encantada, artistas promovem projetos independentes; um deles é o Movimento Equinócio. Promovido pelo multiartista Irakytan, o coletivo atua na ocupação de espaços públicos com foco na diversidade sonora, cultural e LGBTQIA+.  Já na área da literatura, existe a Escribaria – idealizada por Ana Ribeiro, é um espaço focado em oficinas de escrita criativa, unindo linguagem, arte e autoconhecimento. Outro movimento que chama a atenção é o Feira di Buteco, feira coletiva bimestral idealizada por Binho realizada em bares da cidade. O evento tem participação de artistas, expositores e atrações musicais.

 Feira di Buteco 2026 no Bar Apenas Bar. Imagem: binho_http

Em entrevista ao programa "Agenda DCU", agentes culturais defenderam que este cenário efervescente só é possível graças à luta e ao engajamento político.  André Rosa, diretor de cultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM), acredita que Maringá é uma cidade muito potente, mas que o avanço só ocorre com união e engajamento político, frequentando espaços, visitando exposições e participando dos conselhos de cultura.

O produtor Fernando Souza, criador da página Maringaense Cultural, também reforça a necessidade de união e participação popular na defesa da cultura  – tanto nas redes sociais quanto presencialmente, frequentando os espaços culturais. Segundo ele, o cenário artístico vinha crescendo em termos de ações e fomentos nos últimos anos, mas hoje enfrenta desafios políticos. “É preciso estar sempre em alerta para não perder o que foi conquistado”, aponta Fernando.

Engajamento pela cultura: um papel só para artistas?

O sociólogo, jornalista e ex-secretário de cultura Victor Simião destaca a importância do envolvimento político de artistas e da população em três frentes. “A primeira delas é a geração de emprego e renda, se você quiser fazer um viés econômico. É um pressuposto”.

Um estudo da Spcine, empresa de cinema e audiovisual da Prefeitura de São Paulo, mostra que a cada R$ 1 investido na produção de um filme ou série, o retorno médio é superior a R$ 20. Segundo relatório da UNESCO, a cultura e as indústrias criativas respondem por 3,39% do PIB e 3,55% dos empregos no mundo.

Simião também ressalta que a cultura promove um sentimento de pertencimento. Assim como a Torre Eiffel é símbolo de Paris, os espaços e projetos culturais são ativos que geram identidade entre a população e a cidade. Ele destaca ainda que o envolvimento impacta na fruição com a arte: “Quando as pessoas vão à feira do produtor e veem uma exposição ou um teatro Lambe-Lambe, elas estão ali para comprar frutas e verduras, mas acabam tendo 5, 10 ou 15 minutos de experiência artística gratuita no meio do dia”.

André Rosa aponta que a cultura deve ser entendida como uma atividade universal e cotidiana. “Como dizia o ex-ministro Gilberto Gil, a cultura é arroz e feijão, gente. Não é algo excepcional. E ainda temos a tendência de tratá-la como se fosse algo fora do cotidiano – mas ela precisa ser parte dele.”

Um exemplo de mobilização popular ocorreu em julho do ano passado, envolvendo a Virada Cultural. Após a Prefeitura anunciar o Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro (um espaço fechado e privado) como local do evento, o público se manifestou nas redes sociais pedindo outro lugar. A organização então abriu uma consulta pública, que reuniu 2.818 votos válidos. A Vila Olímpica, espaço público e próximo ao Terminal Intermodal Urbano, foi escolhida por 2.033 pessoas (72,14%).

Nesse contexto, Fernando Souza explica que o perfil Maringaense Cultural vai além de uma simples agenda de divulgação: atua como ferramenta social para mobilizar a população, promover engajamento político e incentivar o público a frequentar os espaços culturais. Segundo ele, a página serve como “forma de fazer barulho” – mais de mil pessoas clicaram no link de votação para escolher o Estádio Willie Davids como espaço da Virada Cultural através do perfil no Instagram Maringaense Cultural.

Onde acompanhar as atividades culturais em Maringá

Algumas plataformas divulgam projetos independentes e/ou gratuitos da cena artístico-cultural maringaense:

  • Instagram Maringaense Cultural: publica oficinas, eventos e exposições realizadas em Maringá. O criador da página também oferece design e assessoria de imprensa para projetos interessados.
  • Instagram da Secretaria de Cultura de Maringá: atualiza semanalmente os Convites às Artes (à Dança, ao Teatro, à Música, às Artes Visuais e ao Cinema) e divulga atividades promovidas pela Semuc.
  • Grupo de WhatsApp “SESC MARINGÁ - AGENDA CULTURAL”: anuncia oficinas e eventos do Sesc Maringá. Link de acesso.
  • Enjoy Maringá: o blog divulga as atividades culturais da cidade.