Passado, presente e futuro das escolas de samba maringaenses
Você sabia que Maringá já teve suas próprias escolas de samba? Saiba mais sobre a história destas agremiações na nossa cidade!
Portela, Mangueira, Beija-Flor…estes são alguns grandes nomes de escolas de samba que desfilam anualmente no sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí. Todos já ouviram falar do tradicional desfile das escolas de samba cariocas, mas você sabia que Maringá já teve suas próprias escolas de samba?
O Passado das escolas de samba

Imagem: Reprodução / foto de Laércio Nickel Ferreira Lopes / Acervo Maringá Histórica.
As primeiras escolas de samba surgiram no Rio de Janeiro. Os desfiles começaram como concursos focados nos sambas compostos por blocos populares e passaram a incorporar elementos dos “ranchos” (agremiações carnavalescas do início do século 20), como as figuras de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e alegorias. Posteriormente, novas escolas surgiram para além da capital carioca, por todo o país.
Em nossa cidade, moradores do bairro Vila Operária fundaram a primeira escola de samba, a Unidos da Vila Operária, em 1961. A agremiação esteve presente na celebração dos 25 anos de Maringá, em 1972, que contou com carros alegóricos e decorações carnavalescas nas ruas.
Em 1974, a Secretaria de Cultura organizou um desfile de escolas de samba na cidade. Além da Unidos da Vila Operária, as agremiações Sindicato do Samba, de Paranaguá, e Nem Sangue Nem Areia, de Apucarana, também desfilaram em Maringá. Neste mesmo ano, alguns membros da Unidos da Vila Operária fundaram a Imperadores do Samba, após se indisporem com a diretoria da antiga escola por acompanharem o Grêmio de Esportes Maringá e se apresentarem como uma “charanga” (espécie de banda musical) do time.
Anos depois, surgiram novas agremiações carnavalescas em Maringá, como a Asa Negra, a Acadêmicos das Grevíleas e a Coração Verde. Outra escola de samba que se destacou na nossa cidade foi a Saranda-auê, fundada por alunos de uma escola estadual de Sarandi e que chegou a ser campeã do carnaval de rua de Maringá em 1989 e 1992.
O presente e o futuro das escolas de samba
O carnaval de rua maringaense, tal como ocorria nos anos 70 e 80, época em que as escolas de samba citadas estiveram em seu auge, desapareceu. Não há mais agremiações ativas na cidade. No entanto, nos dias de hoje, ainda existe o desejo de resgatar as celebrações tradicionais, ideia esta que integra o projeto Unidos do Ingá.
Idealizado há cerca de uma década por um grupo de produtores culturais locais, o Unidos do Ingá surgiu com o intuito de formar uma escola de samba e relembrar a história da Vila Operária, conforme explica Márcio Alex Pereira, professor, artista e produtor cultural que esteve envolvido no projeto: “A gente queria chamar atenção das pessoas sobre uma das tradições que poderia se perder com a especulação imobiliária e a selva de pedra que vinha sendo anunciada na Vila Operária. Não somos saudosistas, ou inimigos do progresso. Mas a coisa ficou desenfreada e a Vila começou a perder a identidade”, diz. “O Carnaval de rua é patrimônio cultural e talvez uma das festas mais democráticas do país. Talvez por isso incomode tanto alguns segmentos, que insistem em encaixotá-lo”.
O Unidos do Ingá chegou a realizar aulas de percussão e ritmo um concurso para eleger uma rainha de bateria, evento que contou com a presença de Mestre Tornado, mestre de bateria da escola paulistana Dragões da Real. “A ideia era fazer todos os anos, mantendo a formação original da bateria e, na medida que íamos conseguindo recursos, a gente ia mantendo e expandindo o projeto”, explica o produtor cultural. Infelizmente, o projeto teve que ser interrompido em 2020.
Apesar de tudo, Márcio deixa bem claro que a ideia por trás do projeto não morreu, e que ainda existe esperança para o ressurgimento das escolas de samba e do carnaval de rua em Maringá: “Os instrumentos estão guardados, temos projetos para 2026, queremos voltar. Temos alguma perspectiva de volta sim, vamos ver! Aguardem!”.